quarta-feira, 24 de setembro de 2014

BRT COMPLETA 40 ANOS NO BRASIL E NO MUNDO

Corredores para trânsito rápido de ônibus não se transformaram apenas em soluções de mobilidade, mas também para organização do crescimento das cidades. Os sistemas são ideais para integração com os serviços metroferroviários.
Sistema BRT completa 40 anos de existência neste Dia Mundial Sem Carro. Com origem no Brasil, hoje é adotado em todos os continentes e atende diariamente mais de 31 milhões de pessoas em todo o mundo. Cada vez mais moderno, ônibus provam que são o transporte do presente e do futuro. Montagem de Imagens: Adamo Bazani (fotos reprodução da internet)
Sistema BRT completa 40 anos de existência neste Dia Mundial Sem Carro. Com origem no Brasil, hoje é adotado em todos os continentes e atende diariamente mais de 31 milhões de pessoas em todo o mundo. Cada vez mais moderno, ônibus provam que são o transporte do presente e do futuro. Montagem de Imagens: Adamo Bazani (fotos reprodução da internet)
A data não poderia ser mais propícia.
Exatamente em 22 de setembro, quando é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, movimento que começou na França em 1998 para conscientizar sobre a necessidade de cidades mais humanas e menos dependentes dos deslocamentos individuais, o BRT – Bus Rapid Transit completa neste ano de 2014, 40 anos de existência.
De acordo com BRT Data Org, do Embarq – Centro de Transporte Sustentável do Instituto de Recursos Mundiais (WRI) , órgão internacional formado por autoridades públicas, estudiosos acadêmicos e técnicos em transporte, em todo o mundo existem 181 cidades com sistemas de corredores de ônibus de trânsito rápido que transportam diariamente 31 milhões 358 mil 488 passageiros por dia. Estes corredores somam 4 mil 675 quilômetros de extensão.
A estimativa é que nos próximos dez anos este total de passageiros transportados em todo o mundo deva dobrar, já que em todos os continentes, inclusive onde é forte a presença dos transportes ferroviários, há corredores de ônibus em construção ou em projeto.
A maior malha de BRT no mundo é na América Latina, com 1 mil 616 quilômetros presentes em 59 cidades e que atendem diariamente 19 milhões 523 mil passageiros por dia.
Em segundo lugar vem a Ásia, onde os BRTs em 36 cidades prestam serviços diariamente para 8 milhões 485 mil passageiros por dia numa malha que soma 1 mil 295 quilômetros. A Europa é o continente que abriga a terceira maior rede de BRTs do mundo, com 799 quilômetros em 51 cidades onde são atendidos 1 milhão 785 passageiros por dia.
BRT Data Org, do Embarq, mostra que 181 cidades apostam no BRT com bons resultados. Corredores de ônibus não substituem metrô ou trem e vice-e-versa, mas é impossível pensas em cidades desenvolvidas sem sistemas eficientes de ônibus. Reprodução BRT Data Org.
BRT Data Org, do Embarq, mostra que 181 cidades apostam no BRT com bons resultados. Corredores de ônibus não substituem metrô ou trem e vice-e-versa, mas é impossível pensas em cidades desenvolvidas sem sistemas
A expansão dos BRTs em todo o mundo é uma prova que os sistemas de ônibus não são ultrapassados, como muitos que erroneamente ou até com má intenção para manipular votos ou por interesses econômicos tentam incutir na opinião pública.
Na verdade, os sistemas de corredores de ônibus têm se mostrado uma das soluções mais eficientes para melhorar ainda mais os serviços de trens e de metrô.
Não adianta ter um excelente sistema metroferroviário se as pessoas não conseguem chegar até as estações. Não é possível implantar redes de metrô e trens em todos os lugares, tanto do ponto de vista técnico como também do econômico.
Além disso, corredores BRT que seguem em determinadas regiões já atendidas pelos trilhos também ajudam a diminuir a lotação de muitas redes de metrô que já chegaram ao limite.
O segredo do BRT está na simplicidade, que não significa serviços de qualidade inferior.
Por mais moderno que seja um BRT, sua implantação é mais barata e rápida do que sistemas metroferroviários. A capacidade de atendimento de um BRT bem planejado pode se aproximar de um metrô pesado.
Os sistemas de corredores de ônibus também trazem benefícios ambientais. A introdução de ônibus elétricos, trólebus e coletivos movidos a combustíveis alternativos ao petróleo aumentam estes ganhos, mas a simples implantação de uma rede de corredores, mesmo com veículos a diesel, já significa uma redução expressiva no número de poluentes na atmosfera.
Isso porque um corredor de ônibus otimiza as operações, reduzindo número de linhas e coletivos em circulação sem prejudicar a capacidade de atendimento já que pelo fato de o transporte público ter um espaço exclusivo, os ônibus não ficam presos no trânsito e conseguem realizar mais viagens.
Veículos articulados, superarticulados e biarticulados também podem substituir de uma só vez de dois a três ônibus comuns.
Ainda de acordo com o BRT Data Org, um exemplo disso é a Cidade do México, que em 2012 ao inaugurar sua quarta linha permitiu a redução de 110 mil toneladas de gás carbônico emitidas no ar anualmente.

O BERÇO NO BRASIL

E esta solução que tem despertado cada vez mais interesse no mundo nasceu justamente no Brasil.
Em 22 de setembro de 1974, portanto há exatos 40 anos, a cidade de Curitiba, no Paraná, ganhava sua primeira linha de ônibus expressa em corredores, algo nunca visto no mundo, mas que era simples e eficiente.
Começaram a operar esta linha 20 ônibus no eixo Norte-Sul, entre Santa Cândida/Praça Rui Barbosa e Capão Raso/Praça 19 de Dezembro.
A ideia deu tão certo, apesar de algumas resistências de quem se sentia confortável em deslocar-se de carro, que foi se expandindo.
Em abril de 1991, o BRT passa por uma reformulação no sistema de embarque e desembarque, que se tornou mais ágil e acessível. Surgem as estações-tubo, que permitiam acesso ao ônibus no mesmo nível da plataforma e possibilidade de pagamento antes da chegada do coletivo. Inicialmente, as estações-tubo foram planejadas para os chamados Ligeirinhos, ônibus que faziam poucas paradas. Logo em seguida, ônibus de outros tipos de linha, como as expressas, também começaram a fazer paradas nas estações-tubo.
Em outubro de 1991 também, a Volvo desenvolve um veículo também inédito: o ônibus biarticulado, com capacidade para aproximadamente 230 passageiros e com 25 metros de comprimento.
Hoje os biarticulados chegam a ter 28 metros de comprimento e podem atender sem grandes apertos 270 passageiros de uma só vez.
Na época, o prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, afirmou que muito mais que oferecer uma solução de mobilidade, os corredores de ônibus tinham o objetivo de permitir um crescimento urbano mais ordenado, ao longo das vias onde há oferta de transporte público, e cidades mais humanas, nas quais, através do transporte coletivo, o espaço urbano seja dedicado às pessoas e não aos carros.
E esse é o principal resultado do investimento em transporte coletivo.
Além de as pessoas conviverem mais, interagindo e melhorando as relações humanas, os espaços nas cidades são aproveitados de maneira mais inteligente.
Enquanto um ônibus convencional de 13,2 metros de comprimento atende 80 passageiros de uma só vez, para transportar estas mesmas 80 pessoas, são necessários 40 carros que ocupariam 153,2 metros perfilados, levando em conta que em média cada carro transporta apenas duas pessoas, mesmo tendo capacidade para quatro ou cinco.
O BRT não substitui o metrô e o trem e vice-e-versa, mas hoje é impossível pensar em cidades desenvolvidas sem sistemas de ônibus eficientes e de qualidade.

Texto: Adamo Bazani

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