sábado, 18 de abril de 2015

MERCEDES-BENZ ANUNCIA 500 DEMISSÕES E OUTRAS FABRICANTES DE ÔNIBUS PODEM FAZER CORTES

Mercedes-Benz demite 500 pessoas da fábrica de São Bernardo do Campo

Operários estavam no grupo de 750 empregados que estavam em lay off. Mais demissões podem ocorrer nas montadoras de ônibus e caminhões.



Com a economia brasileira não reagindo e sem sinais de crescimento significativo, o setor de veículos que são bens de capital, como ônibus e caminhões, é um dos mais prejudicados e quem sente é o trabalhador.

A Mercedes-Benz, líder em produção e vendas de ônibus e vice em caminhões, anunciou a demissão de 500 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, principal unidade da montadora alemã no Brasil.

Estas pessoas estavam no grupo dos 750 funcionários colados em maio do ano passado no regime de lay off – suspensão do contrato de trabalho.

Segundo a Mercedes-Benz, o fraco desempenho dos segmentos de ônibus e caminhões ainda faz com que haja um excedente de mil e 200 pessoas, além das demitidas.

Hoje a planta tem 10 mil e 500 funcionários, trabalha apenas quatro dias por semana e deve dar férias coletivas com período ainda a ser definido.

A Mercedes alega que a ociosidade da planta hoje é de 40%.

Esses 500 cortes vão ser formalizados em maio. A empresa ofereceu ao grupo o mesmo pacote de benefícios para quem aderiu ao PDV – Plano de Demissão Voluntária.

O PDV está aberto desde o dia 27 de março e, além dos direitos trabalhistas, prevê o pagamento de nove salários extras.

Os outros 250 funcionários que estavam em lay off têm estabilidade, retornando à linha de produção.

Neste ano, as montadoras já dispensaram 3,6 mil trabalhadores, a maioria por PDV. No ano passado, foram 12,5 mil funcionários demitidos.

Seguindo a tendência e integrando a cadeia produtiva, as empresas de autopeças demitiram 25 mil trabalhadores no ano passado. O Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores projeta 17 mil demissões em 2015.

A Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, que reúne as montadoras, não divulga projeções sobre o nível de emprego, mas as estimativas em relação a produção, principalmente de veículos pesados, não são nada animadores.

A projeção é de queda de 22,5% na produção de ônibus e caminhões e de 9,3% de automóveis.

Outras fabricantes de veículos pesados também reduzem a produção e a jornada dos trabalhadores.

A Volvo, em Curitiba, vai colocar a partir de segunda-feira até 4 de maio, 1,5 mil trabalhadores em férias coletivas. A Scania, de São Bernardo do Campo, emendou este feriado de Tiradentes, não trabalhando na segunda-feira. Já a MAN Latin America- Volkswagen Caminhões e Ônibus, em 

Resende, reduziu em 10% a jornada de trabalho e os salários.

Em relação à Mercedes-Benz, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, já encaminhou aviso de greve à montadora e na quarta-feira, 22, vai realizar uma assembleia para votar a paralisação.

A entidade criticou a postura da Mercedes-Benz e o que chamou de inércia do governo Dilma Rousseff, sucessora de Lula, um ex-metalúrgico. Para o sindicato, o governo federal não colocou em prática o Plano Nacional de Proteção ao Emprego, discutido há dois anos, e que deveria entrar em vigor em momentos de crise, como o enfrentado pelo setor de automóveis e autopeças, em especial, nos segmentos de caminhões e ônibus.


Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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