terça-feira, 12 de maio de 2015

A HISTÓRIA DA CARROCERIA DIPLOMATA

Fundada em 17 de setembro de 1946 pelos irmãos descendentes de suecos, Augusto Bruno Nielson e Eugênio Nielson, sob o nome Nielson & Irmão, a empresa montou sua primeira carroceria de ônibus no ano 1949: uma jardineira totalmente de madeira sobre o chassi Chevrolet Gigante. Naquela época a madeira também era a matéria–prima das carrocerias de ônibus.




Na história dos transportes do Brasil, a indústria de ônibus, teve um modelo que representava a evolução dos transportes rodoviários e a modernização da empresa. No final dos anos 50, a Carrocerias Nielson logo se tornou uma das encarroçadoras mais notáveis no mercado nacional e internacional, obtendo êxito com o modelo rodoviário Diplomata.


O Diplomata brasileiro surgiu em 1961, quando o mercado exigia modelos diferenciados. Por mais que crescesse, a indústria nacional ainda não tinha a excelência operacional, de conforto e de design dos produtos internacionais na época.

Anteriormente a este modelo a Expresso Brasileiro teria importado os Flxible dos Estados Unidos para concorrer com os ônibus GM PD 4104 da Viação Cometa, na disputada linha Rio – São Paulo. Os Flxible chamaram a atenção e se destacaram pelo modelo inovador e o desempenho. O teto de dois planos, com uma caída, mais para a parte da frente da carroceria e o conforto faziam jus a admiração que despertaram. O motor era o mesmo dos Morubixaba, Detroit Diesel 6-71, mas o sistema com 5 marchas fazia com que o rendimento fosse maior. O veículo ganhou o apelido de Diplomata, pela sua imponência e sensação de classe.

Os Flxible VL 100, com suspensão a ar, direção hidráulica, ar condicionado e vidros Ray-ban , ficaram mais de dois anos retidos no Porto de Santos. Eram 30 unidades. Esse foi um golpe para a Expresso Brasileiro, que tinha feito grandes investimentos e até vendido ônibus que operava para fazer a compra. Há praticamente um consenso de que a importação foi barrada por influência dos representantes da Viação Cometa, na época, entre autoridades nacionais, para desestruturar a concorrente. E foi justamente o que ocorreu. Além de se distanciar da liderança, a Expresso Brasileiro teve de arcar com os custos para a liberação dos veículos e repará-los, afinal, tiveram problemas mecânicos por ficarem parados por mais de dois anos.


A partir do Governo de Juscelino Kubitscheck as importações se tornaram impossíveis, inclusive a de ônibus. Grandes empresas de transportes rodoviários começaram a pressionar a indústria nacional a oferecer produtos mais aprimorados, como os que importavam anteriormente, a exemplo da Expresso Brasileiro e Cometa. Encarroçadoras como Striuli, Ciferal, Nicola e Nielson correram para fazer ônibus de qualidade e com diferenciais.



Nielson Diplomata - lançado em 1961 tinha o teto em dois níveis, a exemplo do VL 100. Modelo moderno, com as janelas inclinadas, mesclando linhas retas e angulares e grades com frisos cromados representavam uma evolução no mercado. A indústria de ônibus brasileira seguiu os exemplos de estrutura do Diplomata, com materiais mais sofisticados para a categoria de serviços que era destinado, mas de manutenção simples. Alguns materiais como alumínio e fibras eram utilizados também para deixar o veículo mais leve e quanto menos peso o motor tiver de carregar, melhor será seu desempenho e maior sua velocidade, mesmo em situações mais exigentes.



Diplomata 70 - No ano de 1968, ainda mais requintado, era lançada no Salão do Automóvel, no Ibirapuera, na Capital Paulista, uma nova versão do modelo. A qualidade, o conforto e a beleza eram itens de suma importância. Já nesta época, a indústria percebia que o passageiro poderia não entender de nomes de modelos e dados técnicos, mas exigia um ônibus agradável e bonito. Os detalhes cromados aumentavam assim como o espaço interno do veículo. Dois anos depois, com uma área envidraçada maior, tendência que já estava se instalando no mercado de urbanos e se estabeleceria no rodoviário, privilegiando a visibilidade, era lançado o Diplomata 70, em 1970.



No ano de 1972, pensando em ampliar a carteira de clientes, a Nielson oferece mais versões do Diplomata. Havia, por exemplo, 4 tipos de serviços e poltronas para o modelo.

- rodoviário, com poltronas reclináveis
- turismo com poltronas reclináveis
- semi-leito
- leito.

A estratégia da Nielson em oferecer mais versões do Diplomata fazia com que as vendas aumentassem a cada ano e mais que dobrassem num período de 5 anos.


Diplomata JO - Lançado em 1974, o modelo também foi concebido para aplicações rodoviárias. A versão já apresentava uma nova tendência: teto de dois níveis, só que com a caída mais para a frente do veículo e mais discreta.

Empresa Princesa do Norte / Nielson Diplomata JO Scania B110 / Carro 7503

Em 1978, a Nielson apresentava um dos primeiro articulados rodoviários brasileiros, modelo Diplomata, usado por várias empresas nacionalmente conhecidas, como a Auto Viação Catarinense.


Auto Viação Catarinense / Nielson Diplomata Articulado Volvo B58 / Carro 8112

Diplomata Série 260 - No ano de 1979, surge nova geração de Diplomata com visual renovado e moderno. Sucesso absoluto pelas inovações que trazia e pelo momento de crescimento do transporte rodoviário. Alguns apelidaram o Diplomata de “sete quedas”, devido ao teto na parte traseira ter uma elevação composta por uma espécie de degraus e na frente uma queda no teto com degraus também que somadas fariam “sete quedas”.


Diplomata Série 300 - Lançada em 1983 a Série 300 dos Diplomatas foi marcada pela variedade de versões e a flexibilidade do modelo. A versão mais simples era o Diplomata 310, usada para serviços de fretamento, linhas regulares rodoviárias de pequena e média distância e linhas seletivas intermunicipais. Além do modelo 310, havia também o 330 e o 350. Esta série poderia ser encarroçada sobre todos os chassis da época.


Em Sergipe, as empresa Nossa Senhora de Fátima e Senhor do Bomfim adquiriram as carrocerias diplomatas. A primeira teve desde o modelo 260 até o 350 sobre chassis Mercedez e Scania, enquanto a segunda somente teve em sua frota seis veículos Diplomata 350 sobre chassis Scania K112 (9409, 9429, 9449, 9469, 9489 e 9509).



Em 1984 surgia um gigante das estradas, que chamava a atenção pela beleza, luxo e altura. Preparado especialmente para serviços de luxo, como rodoviários de longa distância, fretamentos especiais e turismo de alta classe, o Diplomata 380 marcava época. Parecia um ônibus de dois andares visto por fora.

O ônibus chegava a 3,91 metros de altura e os passageiros ficavam confortavelmente num piso superior ao do motorista. O Diplomata 380 mais conhecido do Brasil ganhou uma personalidade única na Expresso Brasileiro que batizou o modelo em sua frota de Magnata.

Diferentemente do que ocorre atualmente com vários produtos, o Diplomata era feito para durar E até hoje, claro, com o passar do tempo vão ficando mais raros, podem ser vistos veículos de várias versões do modelo. Os seis faróis na frente, redondos, grandes, e as 4 lanternas quadradonas atrás, harmonizavam um conjunto que mesclava imponência, elegância e robustez.

No início dos anos de 1990, a família Diplomata deixaria caminho aberto para os modelos El Buss e Jum – Buss, que logo assumiriam o catálogo de produtos rodoviários da recém criada BUSSCAR.

Este foi o Diplomata, modelo eterno para quem apreciava conforto e qualidade, mesmo sem entender da parte técnica ou dos nomes dos ônibus.

Modelos do Diplomata fabricados:

Diplomata (1961-1974)

Diplomata JO (1974-1977)
Diplomata 2.40 / 2.50 / Articulado / Pioneiro / Airbus / BR (1977-1981)
Diplomata 2.60 / 260 Super (1979-1984)
Diplomata 310 / 330 / 350 / 380 (1984-1990)

Fontes: BusologosBrasil/Adamo Bazani

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