domingo, 29 de novembro de 2015

FAIXAS EXCLUSIVAS PARA ÔNIBUS: EXPERIENCIAS DE SUCESSO - PARTE 1

   
   Ao longo dos anos, as faixas exclusivas têm demonstrado o potencial para melhorar a qualidade e a eficiência do transporte coletivo urbano por ônibus. são inúmeros os relatos de experiências exitosas, que contribuíram para o aumento da velocidade operacional, a redução dos custos e a melhoria da qualidade dos serviços ofertados às populações urbanas. no Brasil, observaram-se várias iniciativas voltadas à implantação de faixas exclusivas nas décadas de 70 e 80. essas iniciativas estavam principalmente associadas aos esforços de troncalização, que incluíam a criação de faixas exclusivas para ônibus nos principais corredores e linhas alimentadoras dos sistemas de transporte público.

   As intervenções físicas e operacionais adotadas foram significativamente reduzidas ao longo das duas décadas seguintes, em função da inexistência de mecanismos de controle e de penalização do uso indevido por automóveis particulares. Segundo EMBARQ (2013), existem 31 cidades brasileiras que operam cerca de 669 km de priorização para o transporte público por ônibus. segundo estudos de Vasconcellos et ol (2011), apenas 0,11% do sistema viário recebe qualquer tipo de tratamento, que permite a priorização do transporte público por ônibus.

   Segundo Vuchic (2005), as principais intervenções físicas adotadas na qualificação e priorização do transporte público são: separação absoluta do fluxo de tráfego (sem veículos motorizados, exceto transporte público); separação física do fluxo de tráfego (corredores tipo Brt - Bus Rapid Transit); e separação parcial do fluxo de tráfego (ônibus e outros veículos). Nessa última categoria, a faixa exclusiva pode ser considerada como um dos tipos mais comuns de intervenção utilizada em todo o mundo. 


1 - DEFINIÇÃO
Faixas exclusivas foram adotadas para estabelecer algum tipo de prioridade para o transporte público por meio de projetos de intervenção de baixo custo financeiro. Elas contribuem para a eliminação e/ou a redução da interferência causada por outros veículos na operação dos serviços oferecidos pelo transporte público por ônibus.

2 - OBJETIVOS DAS FAIXAS EXCLUSIVAS
  • Garantir prioridade no sistema viário ao transporte coletivo;
  • Aumentar a velocidade operacional dos ônibus;
  • Diminuir o tempo do passageiro dentro do veículo;
  • Impactar positivamente nos deslocamentos individuais;
  • Permitir maior fluidez na circulação viária para os ônibus;
  • Disponibilizar informação aos usuários, monitoramento e reeducação;
  • Racionalizar a operação com a otimização da frota;
  • Reduzir os custos do transporte público e, consequentemente, contribuir para a modicidade tarifária;
  • Facilitar a integração com os outros modos de transporte;
  • Compartilhar os espaços da cidade de forma justa e racional.
3 - VANTAGENS DAS FAIXAS EXCLUSIVAS
  • Implantação em curto prazo (entre 1 e 6 meses);
  • Atendimento imediato às expectativas da população usuária do transporte público por ônibus;
  • Não há necessidade de desapropriações;
  • Baixo custo de implantação (de 100 mil a 500 mil reais por quilômetro); 
  • Utilização dos ônibus já em operação na cidade;
  • Fácil associação do projeto com a área urbana do entorno;
  • Redução do consumo de combustíveis (até 30%) e da emissão de poluentes (até 40%);
  • Redução de até 40% no tempo de viagem;
  • revitalização da área de intervenção; e impacto positivo na mobilidade da cidade.
4 - ELEMENTOS PRINCIPAIS DE UMA FAIXA EXCLUSIVA DE ÔNIBUS URBANO
A faixa exclusiva é a combinação de vários elementos simples, que contribuem para a eficiente priorização do transporte público urbano por ônibus. dependendo do nível de sofisticação e das necessidades identificadas, esses elementos podem ser implantados simultaneamente. Todavia, verifica-se que na prática nem sempre isso acontece, pois as especificidades de cada faixa exclusiva são significativamente heterogêneas.

Faixa contínua de sinalização horizontal: delimita o espaço viário dedicado à circulação do ônibus indicando a prioridade do transporte público;

Faixa não contínua de sinalização horizontal: sinaliza no espaço viário a área que os veículos particulares podem utilizar para realizar conversões à direita; 

Ondulação transversal (tachão): é um elemento físico de dimensões reduzidas que serve como separador do espaço para o ônibus do tráfego misto e também como inibidor da invasão do espaço do transporte público;

Placa de sinalização vertical: indica a proibição do uso da faixa do transporte público para outros veículos não autorizados;

Radar eletrônico (pardal): equipamento eletrônico de fiscalização e autuação através da detecção da presença e utilização do espaço da faixa exclusiva por outros veículos que não sejam os ônibus;

Recuo (baia) da parada de ônibus: pequena modificação da via e do mobiliário urbano para que as operações de embarque e desembarque de passageiros dos ônibus possam ocorrer sem interferir no fluxo de veículos que utilizam a faixa exclusiva.

Ao longo da semana daremos continuidade a esta matéria.

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