terça-feira, 12 de janeiro de 2016

FAIXAS EXCLUSIVAS PARA ÔNIBUS: EXPERIENCIAS DE SUCESSO - PARTE 2

Faixas exclusivas do BRT MOVE em Belo Horizonte/MG
Para elaboração de projetos de implantação de faixas exclusivas de ônibus existem várias possibilidades de intervenção. As variações dependem do tipo e das características do sistema viário, da disposição local em alocar ou não espaço prioritário para os ônibus e da configuração do espaço urbano como um todo.

Reconhecendo a possível variabilidade, as opções foram agrupadas em 5 alternativas. elas estão organizadas considerando a classificação das vias existente no Código de trânsito Brasileiro (CTB) (Brasil, 1997). Nesse sentido, as configurações a seguir subsidiam os técnicos de transporte no processo de elaboração de projetos de acordo com a situação específica verificada em cada cidade, podendo surgir outras possibilidades.

CONFIGURAÇÃO 1 - VIAS COM DUAS FAIXAS DE TRÁFEGO

Nesse exemplo temos vias locais com duas faixas de tráfego no mesmo sentido. Elas são utilizadas na maioria dos itinerários de linhas alimentadoras, que captam os passageiros do transporte público por ônibus nos bairros. Normalmente, o tráfego nessas vias é misto, ou seja, não existe priorização para a circulação dos ônibus.

Figura 1 - Sem faixa exclusiva
A Figura 1 apresenta essa composição, considerando também as calçadas para a circulação dos pedestres e disponibilização do mobiliário urbano necessário. 

Com a implantação da priorização, a faixa de tráfego do lado direito da via é destinada exclusivamente para a circulação dos ônibus do transporte público, conforme apresentado na Figura 2. 
Figura 2 - Com faixa exclusiva

Essa faixa exclusiva para a circulação dos ônibus não permite a ultrapassagem. nessa situação, recomenda-se que os pontos de embarque e desembarque sejam projetados com uma baia, que usa o recuo da calçada para acomodação e estacionamento dos ônibus, além da operação de embarque e desembarque dos passageiros nos pontos de parada.

CONFIGURAÇÃO 2 - VIAS COM TRÊS FAIXAS DE TRÁFEGO

Aplica-se aos casos onde as vias possuem três faixas de tráfego no mesmo sentido. Essa configuração é indicada para vias coletoras (Brasil, 1997), que captam o tráfego misto das vias locais e direcionam para vias de maior capacidade viária (arteriais e/ou de trânsito rápido). A Figura 3 apresenta a situação original, com tráfego misto, ou seja, sem priorização para a circulação dos ônibus do transporte público.
                                                
Figura 3 - Sem Faixa exclusiva
                                                                                                    
Com a priorização, a faixa de tráfego do lado direito da via recebe o tratamento para a circulação dos ônibus do transporte público em toda a extensão da via, conforme Figura 4. A faixa da direita não permite a ultrapassagem entre eles. Dessa forma, os pontos de embarque e desembarque devem ser projetados com uma baia proporcionada pelo recuo da calçada para acomodação e estacionamento dos ônibus, além da operação de embarque e desembarque dos passageiros nos pontos de parada.

Figura 4 - Com faixa exclusiva

CONFIGURAÇÃO 3 - VIAS COM MAIOR FLUXO DE VEÍCULOS

É direcionada para situações em que a via possui um fl uxo de veículos mais elevado, como por exemplo vias arteriais onde busca-se permitir maior velocidade aos deslocamentos na via. esta alternativa contempla uma via em sentido único com quatro faixas de tráfego misto. A Figura 5 apresenta os elementos fundamentais desta configuração. 
Figura 5 - Configuração sem faixa exclusiva

O transporte coletivo será priorizado quando se destinar duas faixas exclusivamente para a circulação dos ônibus do lado direito em toda a extensão da via. 

Pressupõe-se, assim, que a alternativa é indicada para vias da cidade nas quais a quantidade de linhas e, consequentemente, de frota de ônibus é expressiva e, ocasionalmente, existe a formação de comboios. a Figura 6 apresenta os elementos fundamentais desta configuração.

Figura 6 - Configuração com faixas exclusivas

A disponibilização de duas faixas exclusivas para os ônibus proporciona um importante ganho operacional: a possibilidade de ultrapassagem durante o embarque e desembarque de passageiros. nesse sentido, pode-se optar por pontos de embarque e desembarque sem recuo para formação de uma baia de acomodação e estacionamento dos ônibus, o que significa menos gastos para o projeto. 

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