sábado, 4 de novembro de 2017

Coluna do KBÇA: "Deus escreve certo..... por linhas tortas?"

Boa tarde aos amigos e amigas, que apesar do pleno e merecido descanso de sábado, estão aqui pra dedicar um pouco de seus valorosos minutos a ler a coluna de seu amigo que vos escreve. Gostaria de levá-los a uma singela reflexão, de uma percepção que não é apenas minha, mas de muita gente... amigos que partilham do hobby, profissionais rodoviários, e usuários em si no dia a dia.

Postamos há alguns meses uma entrevista do presidente do Setransp-AJU, onde uma frase específica me chamou a atenção, em que comentou que a demanda nos últimos 5 anos caiu cerca de 20%. Sabemos que isso é uma verdade bem relativa, e já cansamos de apontar as inúmeras causas que despontam para essa problemática, como frota envelhecida; redução de frota, horários e tamanho de veículos; valor abusivo da tarifa; surgimentos de outras formas de se transportar, como os aplicativos de carona pagas como o UBER, 99 e Cabify; e a cada vez crescente aquisição de veículos particulares pela população como um todo.

Sabemos que o transporte público operado por empresas privadas, é um modelo de negócio como qualquer, e precisa de retorno financeiro para que permaneça viável a sua continuidade, mas há também o outro: o lado do usuário que mantem o sistema. Este é o que mais tem sido penalizado nos últimos tempos, com uma carga ainda maior de impostos, que resulta em preços absurdos nos mais variados itens básicos de consumo, visto que o Brasil (como comentamos em uma de nossas postagens anteriores) é um país muito dependente do transporte rodoviário. 

Além de um aumento massacrante de impostos, destacamos um caso em especial que é a razão de ser da nossa postagem da nossa coluna de hoje: o aumento dos combustíveis. A Petrobrás, como é de conhecimento de todos, desde o mês de junho, tem praticados reajustes praticamente diários como forma de se adaptar a competitividade internacional de preços do barril de petróleo e derivados. Entretanto um desses reajustes foi ocasionado pelo aumento do PIS/Confins pelo governo federal, que praticamente dobrou seu valor em pleno período de estudos para o reajuste da tarifa da grande Aracaju. Isso foi extremamente impactante para mais um aumento criminoso do valor da passagem de ônibus, para os atuais R$ 3,50, e o nosso temor é de que com a demanda cada vez mais em queda, em breve, o sistema poderia até mesmo colapsar pela falta de clientes, e isso parecia real, em pleno período de altíssimo índice de desemprego, mas não.

O sistema de transporte de Aracaju está aos poucos, voltando a recuperar passageiros que haviam deixado de usar o ônibus de maneira até surpreendente, e passamos refletir sobre as causas dessa situação. Os noticiários nacionais cada vez mais exaltam a saída do país da crise financeira, vislumbrando para 2018 um ano econômico bem interessante para a nação, e claramente (mas muito lentamente), Sergipe também começa a dar sinais de que a era do desenvolvimento e do pleno emprego está retornando, e incrementando a gama de usuários que na hora de se deslocar, optam pelo bom e velho "busão". Outro fator que tem forçado a migração de pessoas para este modal é o altíssimo valor da gasolina brasileira. Pagamos atualmente a bagatela de 4 reais pelo litro do combustível mais usado no dia a dia, e não tem cristão que aguente todo santo dia andar de carro na cidade, pegar enormes engarrafamentos em nossas vias e sustentar os gulosíssimos interesses de arrecadação da estatal petrolífera nacional. Ou seja, é pelo meio cruel (mexendo no bolso do trabalhador), é que o meio mais democrático de se fazer valer uma boa mobilidade urbana está voltando a ser a principal razão de fazer valer o princípio constitucional de ir e vir.


Época de crise, é a oportunidade dos grandes empresários investirem. Falamos ontem em nosso site sobre a revolução que está chegando ao setor de transporte rodoviário, mas se pararmos pra pensar bem, no sistema de transporte urbano, não há revolução nenhuma em curso (exceto a bilhetagem eletrônica que surgiu em nosso país com mais cruel e propósito interesse de acabar com custos, como o que existe hoje para o pagamento de cobradores, aonde cidades como São Paulo já pensam em acabar com esta profissão via projeto de lei).

Os empresários da nossa capital precisam começar a pensar em tratar o usuário como cliente, e não apenas como "meros pagadores de tarifa que fazem a catraca girar". Cliente é a razão de ser qualquer negócio, e se você não investe, ele vai em busca de coisa melhor. Se o dono da empresa de ônibus não renova frota (como acontece aqui há um bom tempo), não oferece frota em quantidade adequada, novas opções de linhas e nem serviços diferenciados (como os que a extinta viação São Pedro fazia com os alternativos), o usuário "chuta o pau da barraca" e some de novo. 

Que essa "nova" fase econômica seja o viés de uma transformação, e que o usuário que está voltando para o sistema, venha para ficar. Que a prefeitura enxergue essa onda migratória para o ônibus, e ajude o sistema a se desenvolver fazendo sua parte, como a reforma de terminais de integração, ponto de ônibus modernos e que faça a famigerada e lendária licitação do sistema. 

Viva o ônibus!

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Urban Matos
Editor da coluna

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